terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Nada se perde, tudo se transforma

     Ensinados desde o berço, os valores morais são responsáveis pela manutenção da ordem entre as pessoas, sendo impostos pela sociedade em que se vive e variando em alguns preceitos básicos de acordo com a cultura local. Independentemente de quaisquer afirmações acerca da moral e da ética, vê-se em comum a finalidade geral que pode ser definida como "respeito à vida". A consciência dos valores morais não morre e muito menos pode ser destruída, ao passo que é moldada conforme as necessidades e influências do convívio com os demais grupos sociais, uma vez que a vida não é individual, mas sim coletiva, dependente de outras.
     Passados de geração em geração, os princípios da moralidade, ou a sua falta, são evidenciados em atitudes diárias do cotidiano. Esse é provado através de escolhas, boas ou ruins, pensadas ou impulsivas. Segundo Immanuel Kant, o homem é um ser que se auto-regula a si mesmo e que se auto determina em liberdade, tendo poder absoluto sobre si e sendo, ao mesmo tempo, Legislador e Súbdito, assim, observa-se que, segundo o filósofo, o próprio ser humano delimita sua liberdade através da Razão e tem por juíz a sua própria consciência. Contudo, na sociedade, cada ato considerado por ela impróprio é julgado e punido perante as leis sociais vigentes. 
     Uma vez que o livre arbítrio encaixou-se na humanidade, nós, seres humanos, aproveitamo-nos da autonomia de pensamento para condenar os demais antes de analisarmos nossas próprias atitudes. Logo, deveríamos agir com a inocência e honestidade das crianças, que em pequenas atitudes demonstram mais sabedoria e compaixão que muitos adultos que, por ganância, erram, roubam, enganam, e não desejam mudar. Cometem crimes como a falta de amor pelo próximo, que leva a um homicídio, ou a irresponsabilidade de dirigir alcoolizado, que coloca vidas em perigo, ou ainda a soberba e a falta de respeito, que leva a corrupção e ao desvio de dinheiro publico.
     Contudo, nós vivemos em grupos, sociedades, e por isso um erro não é exclusivamente de uma única pessoa, a responsabilidade é de todos. Se há um político corrupto, é porque o povo o colocou lá, então, convém ao povo encontrar uma solução, seja uma ONG, uma reeleição, ou maior vigor quanto a ficha limpa. Assim é a ética, um instrumento indispensável para o bom funcionamento da sociedade e integração dos indivíduos nela. Valor moral é respeito à vida, nossa e de todos.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A luz dos olhos meus

     Os olhos... Dizem que são as janelas da alma, mas talvez sejam mais do que isso, talvez também tornem-se uma vitrine do coração, um retrato, você. Quem é você? Quem sou eu? Sou tudo aquilo que me torna mais eu, sou meus olhos, assim como tu és o seu olhar. Há olhares, e olhares, aquele é simples, é fácil, é físico, este é complexo, este, é você. 
     O que teus olhos já viram, pessoas ou vidas? Como são teus olhares, positivos ou negativos? Tens esperança ou apenas vive a cada a dia? Tudo o que és hoje, é um conjunto daquilo que teus olhos já viram. Tu enxergas ou vês a vida ao seu redor? Alguns enxergam, outros veem, mas qual seria a diferença? Bem, esta é a distância entre os olhos físicos e o coração sentimental.
     Há sempre um abismo de entendimentos em um texto escrito, pois só existe o auxílio de palavras que sem os olhares, o conjunto de expressões e interações que diferenciam as conversas, permanece imutável o risco de que tal desabafo não seja lido com os mesmos sentimentos com os quais fora escrito. Bem, talvez este seja o meu desabafo e as possibilidades de entendimento estão em suas mãos, faça bom uso delas. 
   Quando a luz dos olhos meus e as luz dos olhos teus resolvem se encontrar.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

II. A chegada

   E agora o Pat vai dizer como odeia nozes. Meus pensamentos vagavam diante da conversa descontraída de meus colegas. A Olly vai mexer de leve no cabelo. Conhecia-os tão bem, e a tanto tempo, que já era capaz de prever suas reações diante de uma ou outra situação.  E agora chega a parte em que ela fala sobre o delicioso bolo de nozes que sabe fazer. Mas, afinal, qual era o sentido de tudo isso? Eu deveria sentir-me feliz, simplesmente por ter bons amigos e diversas oportunidades de uma longa conversa. Pat vai fazer aquela carinha de quem não consegue montar um quebra-cabeça complicado e sugerir um bolo de chocolate. Tudo me parecia tão entediante e monótono, como se assistisse ao mesmo filme pela quarta vez seguida. 
    Os sonhos com Len tornavam-se cada vez mais frequentes, mas a minha esperança de encontra-lo ficava cada vez mais fraca. Não sabia mais o que pensar daquilo, e não havia ninguém a quem eu pudesse contar sem passar por uma grande idiota. Olly vai rir, aquele riso delicado e alto, característico dela. Uma imagem me chamou a atenção: era uma mulher, simples, jovem, bela, mas havia algo estranho em seu olhar, ele parecia me prender numa espécie de encanto. Não havia nada de diferente nela, exceto pelo olhar, claro, mas não havia nenhuma ameaça em suas feições, ao contrário, apesar da distância de uma pequena praça silenciosa entre nós, era possível ver que seu rosto era delicado, com traços bem femininos e comuns. Pat vai começar a rir também, um riso mais grave e escandaloso. Apenas sorrio, vendo a felicidade simples de meus amigos.
  A estranha estava parava, mais a diante, ainda no mesmo lugar, nos observando atentamente. Encarando-nos. Não me lembro de onde ela veio, mas me parecia que as pessoas simplesmente não a viam. Tinha os finos cabelos louros, próximos a altura do ombro, e usava um leve vestido marrom-claro, não chamava muito a atenção, mas todos a ignoravam. Ela simplesmente aparecera, causando-me uma leve sensação de mal pressentimento. Não achei que seria adequado interromper o momento de meus amigos com minhas implicâncias infantis. Um rápido arrepiou percorreu meu corpo, assim que sustei seu olhar.
     - Anne? Você tá bem? - Ouvi a voz de Olly atrás de mim. - Parece meio desanimada hoje...
   O suave som de sua voz me retirou dos pensamentos alheios. Levei um breve segundo para me concentrar no que ela dizia e realmente entender a pergunta repentina. Virei-me para olhá-la.
    - Só estou pensando, Nicolly, está tudo bem - De repente me senti um pouco deslocada daquele lugar, minha voz parecia mais fraca e distante. Dei um leve sorriso. - Não há nada com que se preocupar. - Uma brisa tocou meus cabelos e tudo pareceu movimentar-se.
    - Mary! Ai, meu Deus! Ajudem, alguém!- Os gritos de Patrick, são a ultima coisa de que me lembro daquele dia. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

I. Os sonhos

    Caminhava calmamente, observando com fascinação a paisagem ao seu redor, não sabia onde estava e muito menos como havia chego até ali. O lugar revelara-se encantador e sombrio ao mesmo tempo, um paradoxo perfeito entre a realidade e os sonhos. Altos pinheiros pareciam cortar o veludo negro que o céu se tornara, uma imensidão de trevas enlaçada com um ponto de luz solitário, a lua estava em seu auge, cheia e brilhante, iluminando parcialmente os lentos passos da menina. Galhos mais baixos arranhavam sua face e corpo, o quebrar das folhas sob seus pés parecia se unir as canções noturnas, era apenas mais uma leve e sinistra melodia em meio aos sonetos daquela floresta assombrada. Um arrepio percorreu-lhe todo o corpo. Uma delicada brisa surgiu para bagunçar-lhe os longos cabelos negros. Seus olhos, amedrontados, saltavam rapidamente em todas as direções, sentia-se observada.
   Uma melodia ecoou atrás de si, a nova musica começara, o som dos galhos se quebrando unia-se a um dueto natural com o farfalhar das folhas e o assobiar do vento entre as árvores. Uma onda de calor surgiu atrás de si, a sua frente, as sombras dominaram o mundo. Virou-se. Pode observar com clareza as chamas lançadas ao ar, beijando as árvores e então descendo ao seu redor, como se numa estranha dança de vida e morte. O animal era gigantesco, as escamas brancas estavam levemente iluminadas pelo fogo que reluzia nas árvores, chamas de um azul intenso, quase vivo. O vento ficava mais forte a medida que as asas se agitavam e o animal descia dos céus à terra. A suavidade e rapidez de seus movimentos, deixou-os frente à frente, humana e dragão. O reflexo da pequena mulher jazia refletido perante a imensidão dourada dos olhos do animal. Silêncio. Até a natureza parecia aquietar-se. O dragão elevou a cabeça, chamas azuis dançaram no ar, cortando o céu. Quando as chamas novamente desceram ao solo, os olhares se encontraram, dragão e mulher, presos nos sentimentos um do outro. 
   As folhas rodopiavam levemente ao seu redor, "Mary Anne", a natureza se silenciara aos ouvidos da menina, "Mary Anne", o vento levava-lhe um leve sussurro, um segredo, "Anne", a menina fechou os olhos por um segundo e desatenta a tudo que acabara de acontecer, tentou concentrar-se apenas no doce som da voz que a chamava, então reconheceu-a. Abriu novamente os olhos, o sol nascia e onde antes estivera o grande animal albino, bem a sua frente, havia apenas um lago de águas calmas e cristalinas. Ficara ali parada por tanto tempo assim? Não, não podia ser. De onde viera aquela paisagem? Onde estava a floresta assombrada? Saíra da tempestade para a calmaria. "Mary Anne, por favor", algo chamou-lhe a atenção, as águas revelaram-lhe um novo reflexo, rapidamente elevou o olhar e pode vê-lo. 
    A brisa brincava-lhe com as roupas, puxando de leve a camisa de linho branco e a jaqueta de couro velho que usava, as roupas eram diferentes, estranhas, para Mary pareciam retiradas de algum velho livro de contos. Os cabelos, de um belo castanho claro, estavam bagunçados, movendo-se junto ao vento, exatamente como ela se lembrava. Porém, os olhos de um azul-escuro, quase negro, que revelavam sempre um brilho de confiança, os quais ela sempre conhecera e amara, agora estavam tristes e sem esperança, não era mais o mesmo garoto de antes, faltava-lhe algo, faltava-lhe alguém. "Len, não pode ser", sua voz saiu fraca demais, ele não a ouviu, Lennox apenas virou-se, afastando-se a passos largos, "Não, Len, não me deixe, não, de novo não", a voz de Mary desaparecera, mas os pensamentos gritavam, "Por favor, Len", as lágrimas corriam por seu lindo rosto, suas forças desapareceram repentinamente, a garota caiu na grama verde que lhe amparou com generosa delicadeza. Viu-o olhando para trás, seus lábios se movimentaram numa silenciosa despedida,"Adeus, pequena Anne". O mundo se tornou negro novamente. 
    Quando acordou, estava em seu quarto, deitada em sua macia e confortável cama, uma voz familiar a chamava, era sua mãe.       

domingo, 24 de novembro de 2013

Estatuto do deficiente

   A idealização de uma sociedade pode até ser vista como uma utopia, mas a busca pela minimização dos efeitos da discriminação populacional e da ignorância do governo acerca das necessidades dos cidadãos é algo palpável. São diversos os grupos de brasileiros que sofrem com tais efeitos, entretanto, destacam-se aqueles que são portadores de alguma necessidade especial e que são atingidos tanto pelo excessivo sentimentalismo das demais pessoas, que ora são dispostas de dó e compaixão e ora apresentam uma certa perversidade em suas palavras e olhares, quanto pela falta de estrutura física que o país dispõe para recebê-los.
   De acordo com a Constituição brasileira, cabe aos órgãos e as entidades do Poder Público assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, individuais e sociais.  Porém, o governo tem feito um verdadeiro exercício teatral a fim de alegar sua preocupação com tal parcela da população e mascarar o verdadeiro tratamento que estes deveriam receber. A construção de rampas em lugares públicos e  a exigência de vagas especiais para deficientes são bons projetos, mas tornam-se insuficientes sozinhos, uma vez que não suprem todas as necessidades específicas dos portadores de necessidades especiais.
   Um grande obstáculo que se opõe não somente ao cotidiano dos portadores de deficiência, mas também apresenta um risco a toda população, são as próprias calçadas brasileiras que, muitas vezes, encontram-se em péssimo estado: estreitas, desregulares e esburacadas. Mais uma vez, segundo a Constituição, todo cidadão brasileiro tem direito à liberdade, a qual compreende, entre outros aspectos, a faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais. Assim, percebe-se que este, nos dias atuais, tornou-se um direito de facilidade inacessível a todos. Então, será mesmo necessário que uma pessoa com deficiência espere pela ajuda de um terceiro, podendo ainda ter seu direito ao respeito transgredido, violando sua integridade física, psíquica e moral, ou o governo deveria disponibilizar recursos dignos para que estes cidadãos usufruam plenamente de seus direitos?
   Considera-se que ainda há um enorme caminho a ser percorrido para que a sociedade se torne realmente igualitária no quesito de acessibilidade aos direitos de um cidadão. Porém, cada passo é uma evolução, e ainda há muitos projetos a serem desenvolvidos e aplicados, tais como: impor, nos meios sociais, a leitura em braile para os deficientes visuais, disponibilizar de aulas para que a população aprenda a conversar na linguagem de libras, provisionar ônibus adaptados para cadeirantes e, especialmente, a criar novos melhores planos de saúde voltados para a reabilitação e integração social dessas pessoas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Quando crescer, estica

   Até pouco tempo, acreditava-se que uma criança gordinha era sinônimo de uma criança saudável. Hoje em dia, entretanto, as crianças vem sofrendo com os elevados índices de sobrepeso. De acordo com os dados do IBGE, 34,8% das crianças brasileiras se enquadram no preocupante campo de obesidade infantil.
   As grandes causadoras do excesso de peso são, em segundo lugar, o novo estilo de vida baseado no sedentarismo, uma vez que as novas gerações não desejam as típicas brincadeiras de rua que exigem esforço físico para correr, pular e se esconder, contudo, preferem ficar dentro de casa com um vídeo game ou um bom computador. Em primeira posição, como grande causadora da obesidade, encontra-se, destacadamente, as mudanças dos hábitos alimentares. 
   Ainda de acordo com o IBGE, calcula-se que 89% desses pequenos brasileiros ingerem açucares e gorduras além do nível considerado saudável pelos médicos. Decerto que ainda há bordões muito comuns entre os familiares de crianças em sobrepeso, como "Quando crescer, estica", que revelam a inconsciência dos pais acerca de que a obesidade não só é incomum durante o desenvolvimento infantil, como também pode trazer diversos riscos a saúde, em outras palavras, doenças respiratórias e ortopédicas, colesterol alto, hipertensão arterial ou diabetes tipo dois.
   No entanto, a culpa acerca da obesidade dos pequenos não deve ser atribuída somente aos pais, obviamente que ainda há a necessidade de desmistificar o indícios restantes da velha cultura de que as crianças acima do peso estão bem alimentadas e saudáveis. Todavia, a responsabilidade por tais problemas de saúde nas crianças deve também ser atribuída ao governo, que não mantém uma fiscalização adequada nas escolas públicas para controlar os alimentos disponíveis nas cantinas, as áreas de lazer acessíveis para a interação desses  e as aulas de educação física, que devem ser mais práticas do que teóricas. 
   Em suma, também é necessário considerar as artimanhas da indústria alimentícia que usa da mídia para suprir suas necessidades de venda a um fácil alvo consumidor, neste caso, as crianças, que são facilmente levadas a desejar bolachas e salgadinhos de seus personagens favoritos. A regra desse comercio especifico é: convença as crianças a desejar, e elas convencerão os pais a comprar. Inquestionavelmente, o atual mundo capitalista faz com que pais e crianças sejam diariamente bombardeados com as poluições extremistas dos jogos de marketing, onde a venda e a compra se tornam mais importantes que a saúde da própria sociedade.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Terceira idade, uma sabedoria ignorada

   O estatuto do idoso foi organizado de modo a prever as necessidades para uma vida digna aos idosos na sociedade brasileira, ademais, com aumento da expectiva de vida das pessoas, essa atitude tem se tonado indispensável para a terceira idade. Em contraste com a realidade vivida por essa parcela da população, há o surgimento de um novo cenário de preconceito que, de uma certa maneira, afasta-os de uma participação ativa nos núcleos rotineiros da vida numa sociedade. Em suma, os idosos vem conquistado cada vez mais sua independência e, especialmente, seus direitos que, apesar de defendidos por lei, são frequentemente negligenciados e esquecidos.
   Em  pleno auge do modelo capitalista, as pessoas se acostumaram aos conceitos de individualismo e produtividade, buscando, na maior parte de seus negócios, apenas o benefício próprio, de modo que isso também vem sendo introduzido aos centros sociais. Os idosos, que antes ajudaram a construir o Brasil atual, agora são descartados por, supostamente, não apresentarem o mesmo vigor juvenil de anos passados, nem tendo, ao menos, as chances necessárias para demonstrar o contrário. Todos os dias, os idosos são isolados dos eixos de relações públicas, e até mesmo da formação de novos laços familiares.
   Logo, torna-se cada vez mais comum as notícias que revelam o abuso financeiro, o desrespeito e a violência física àqueles de idade avançada. A valorização do idoso deve começar com cuidados dentro de casa, porém não deve ser contida somente nas esferas familiares. O governo brasileiro também é responsável pelo bem-estar dos idosos, sendo de sua obrigação não apenas oferecer um adequado sistema de saúde pública,  mas também áreas de lazer, como academias ao ar livre e parques com segurança apropriada, assim como a promessa de uma rígida fiscalização quanto as adaptações do comercio e das casas institucionais que se prontificam a cuidar daqueles que pertencem a terceira idade. 
   Seja em casa, ou num asilo, seja no comercio que não oferece uma atenção qualificada para  o atendimento destes anciãos, numa vaga especial não respeita nos estacionamentos, ou na rede de saúde publica que não apresenta suporte suficiente para suprir as necessidades básicas de saúde, os idosos vem sendo desmerecidos de todo o tempo e esforço que utilizaram, em seu auge juvenil, para colaborar com a formação de uma sociedade justa e um ambiente familiar em equilíbrio. Decerto, o envelhecimento é inevitável, e as pessoas devem estar estruturadas para receber essa ordem natural.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A força da mídia e a cultura do medo

  Atualmente, a mídia se tornou o maior e mais influente veículo de informações para a sociedade, tornando-se uma importante fonte de manipulação para aqueles que retém o seu comando. Ao longo de sua história, é possível observar o extremo uso do sensacionalismo para vencer a luta daqueles que buscam audiência e Ibope. Eis que, com tanto poderio em mãos, a cultura do medo tem se tornado uma tendência de escape, uma alienação da qual a mídia e suas parcerias conseguem retirar benefícios.
   A excessiva valorização de casos isolados de violência geram um déficit de atenção a problemas que realmente mereciam destaque, tais como a desigualdade social, a falta de educação ou saúde para todos. Nesse contexto, é perceptível que há uma ostentação midiática que, de maneira rápida e eficiente, alcança nossas inseguranças emocionais, assim, mesmo não sabendo qual a veracidade do que está sendo veiculado pela mídia, o público pode acreditar que o índice de criminalidade está aumentando e superestimar o medo de serem vítimas de crimes violentos.
   Todo jornalista sabe que crimes impetuosos são eventos raros e extraordinários, mas isso, na comparação com os demais crimes. Eis que, grande parte da mídia extrai sua audiência da dramatização de situações isoladas, como o assassinato em Realengo, ocorrido em 7 de abril de 2011, ou o caso de Eloá Cristina, o mais longo sequestro em cárcere privado já registrado pela polícia do estado brasileiro de São Paulo. Ambos os casos obtiveram enorme repercussão nacional, comovendo toda a população.
   É possível observar que realmente o Brasil apresenta um elevado grau de violência quanto ao quesito armas de fogo. O número de homicídios por tiros, no ano de 2010, chegou a um total de 36.792 vítimas. E de acordo com o Censo 2010, são cerca de 16,2 milhões de brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, eis que nessas circunstâncias pode-se observar a alienação gerada pela mídia para desviar a atenção da população dos reais e mais importantes problemas, e encontrando uma maneira de se beneficiar disso.